O site WikiLeaks liberou o acesso a seus arquivos depois da prisão de seu fundador, Julian Assange, que passou sete anos na embaixada do Equador em Londres.

As constatações iniciais obtidas a partir daí são perturbadoras, embora nem um pouco surpreendentes. Os documentos indicam que a CIA tem ferramentas para entrar em sistemas de operadoras de telefonia ou fazer espionagem a partir da invasão de equipamentos com Android, iOSWindows, por exemplo — tudo na surdina, é claro.

Até smart TVs da Samsung podem ser usadas como recurso de escuta, inclusive quando desligadas. E nem pense que a criptografia do WhatsApp ou do Telegram consegue parar a CIA: a agência explora outros meios para acessar os dados quando encontra esse tipo de barreira.

O objetivo da Wikileaks com o Year Zero é mostrar justamente a capacidade que CIA e outras entidades do governo dos Estados Unidos têm de se infiltrar em sistemas dos mais diversos tipos. O alcance é praticamente global: além do centro de inteligência em Virgínia, a CIA usa o consulado dos Estados Unidos em Frankfurt para orquestrar ataques em regiões da Europa, Oriente Médio e África.

Como os dados foram divulgados nesta terça-feira (7), ainda não houve tempo para verificação da veracidade dos documentos. Mas um ex-agente da CIA fez uma análise rápida das informações e, ao New York Times, sinalizou que é bastante provável que os documentos sejam mesmo legítimos.

Entre os (muitos) dados divulgados, estão informações sobre políticos Brasileiros como Tasso Jereissati e Roseana Sarney.

Uma detalhe curioso é que a maioria dos arquivos que são centenas, estão com o mesmo ano “1984”. Qual a razão por trás desta data e todos os arquivos?

Grande parte dos arquivos tem a data “1984”

1984 imediatamente faz lembrar do clássico de George Orwell:

Publicada originalmente em 1949, a distopia futurista 1984 é um dos romances mais influentes do século XX, um inquestionável clássico moderno. Lançada poucos meses antes da morte do autor, é uma obra magistral que ainda se impõe como uma poderosa reflexão ficcional sobre a essência nefasta de qualquer forma de poder totalitário.

Quem é Julian Assange ?

Julian Paul Assange nasceu em 3 de julho de 1971 em Townsville, na Austrália. É jornalista, escritor, ciberativista e ficou mundialmente conhecido por ser o principal editor e porta-voz da WikiLeaks, uma organização transnacional sem fins lucrativos, sediada na Suécia, que publica em sua página postagens de fontes anônimas, documentos, fotos e informações confidenciais, vazadas de governos ou empresas sobre assuntos sensíveis.

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Assange nasceu em Townsville mas passou grande parte da sua juventude vivendo em Magnetic Island. Os pais trabalhavam em uma companhia de teatro itinerante e em 1979, a mãe Christine casou-se com um músico, porém o casal se separou em 1982, e uma disputa pelo irmão mais novo de Julian fez com que a mãe fugisse com seus dois filhos. A família morou em esconderijos durante cinco anos, fazendo com que Julian mudasse várias vezes de lugar durante a sua infância e por isso, frequentava várias escolas diferentes e às vezes estudava em casa. Também chegou a frequentar diversas universidades na Austrália.

Foi em 1987, aos 16 anos de idade, que Assange, sob o nome de “Mendax”, começou a hackear. Junto com mais dois amigos, criaram o International Subversives (Subversivos Internacionais) em que a regra a seguir era: “não danificar os sistemas de computador que você acessar; não alterar as informações contidas nesses sistemas (exceto para alterar registros a fim de cobrir seus traços de acesso), e compartilhar informações”.

Em 1991, a Polícia Federal Australiana invadiu sua casa em Melbourne e ele foi acusado de ter acessado computadores de uma universidade australiana, da Nortel canadense e de outras organizações. Em 1992, se declarou culpado de 24 acusações de hacking e foi liberado sob fiança por bom comportamento, depois de ser multado em AU$2100.

Após este episódio, a namorada de Assange, com quem teve um filho, Daniel Assange, partiu levando consigo o filho do casal. Este processo levou Assange e sua mãe a fundarem o Parent Inquiry into Child Protection (Investigação Paterna para Proteção à Criança), um grupo ativista centrado na criação de um bando de dados central para informações sobre processos de custódia de crianças na Austrália – informações que, de outra forma, seriam inacessíveis.

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Em 2006, fundou o WikiLeaks e esteve envolvido nas publicações de documentos sobre execuções extrajudiciais no Quênia, o que garantiu o prêmio Amnesty International Media Award de 2009. Também publicou documentos sobre resíduos tóxicos na África, tratamento dado aos prisioneiros da Prisão de Guantánamo, entre outros.

Arquivo

 

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