Em Chesapeake Bay, Maryland, no ano de 1952, como parte de um programa secreto do governo, denominado projeto Penguin, o médico e psiquiatra Andrija Puharich monta um laboratório especial onde os médiuns e militares se reúnem para investigar a manipulação psicológica.

Talvez um dos aspectos mais instigantes e controversos da pesquisa de Puharich era a canalização, que envolvia fazer contato com seres não-físicos através do uso de médiuns. Segundo pesquisadores isso foi um esforço científico sério. Não foram usadas velas, ou nada do tipo ritualístico

Logo no inicio, eles se anunciaram como os nove princípios do universo. Mas além disso, disseram que eram extraterrestres. Eram forças do além. Os Nove disseram que eram uma presença eterna, que estavam observando a humanidade desde o inicio.

Puharich usou uma Gaiola de Faraday, uma sala de cobre que foi especialmente isolada de acordo com os padrões da Marinha dos EUA, que impediriam ondas eletromagnéticas medianas e eletrostáticas. Nesta Gaiola de Faraday, as pessoas relaxariam e permitiriam que a mente superasse a matéria.

Em dezembro de 1952 Puharich convidou o místico hindu e médico D.G Vinog para uma dessas sessões de canalização. Durante o experimento, Vinod entrou em transe profundo e fez contato com um grupo de entidades chamadas ‘Os nove’.

Os Nove disseram que eram uma presença eterna, que estavam observando a humanidade desde o inicio. Eles se intitularam de deuses, guias, e foi isso que particularmente interessou Puharich.

A ideia de Puharich era que esses deuses, evidentemente, poderiam trazer a sabedoria para a humanidade, e queria pedir por uma orientação.

Os Nove divulgaram diferentes mensagens, uma delas envolvendo eles serem guardiões da raça humana, e até mesmo seus criadores.

Puharich perguntou:

“Qual seu nome? Quem é você?”… E uma grande revelação veio a seguir do ser que disse : “Eu sou Atum.”

Atum foi o grande deus-pai do Antigo Egito, introduzindo não apenas os nove princípios, mas os nove grandes deuses, ou Enéade, do Antigo Egito. Dizem que esses deuses trouxeram a sabedoria e a tecnologia avançada para o Antigo Egito.

É possível que Puharich tenha feito realmente contato com os nove grandes deuses do Egito? E será que eles realmente eram seres alienígenas?

Referências dos 9 no passado:

 Imperador Ashoka 246 A.C

Esqueça a Roza-Cruz, os Iluminatti, a Golden Dawn ou a Maçonaria. Os Nove princípios também chamados de 9 Desconhecidos formam a mais poderosa sociedade secreta do Universo. Poucos mitos são tão profusos em especulações: da manipulação das massas às viagens no tempo, da imortalidade às civilizações perdidas.

Segundo a versão principal da lenda, a ordem dos Nove foi fundada na Índia, em 246 a.C., pelo imperador Ashoka. Objetivo: tornar o conhecimento secreto; evitar que caia em mãos erradas. E toda a sabedoria seria armazenada em nove livros, constantemente atualizados e cada qual dedicado a uma ciência: psicologia, gravitação e luz são três delas.

Sobre um dos livros, Talbot Mundy escreveu:

“Uma única página tem segredos  o suficiente para que qualquer um possa começar, prontamente, a sua própria religião ou culto”.

Escondidos, os Nove interviriam sutilmente no mundo, de tempos em tempos, conduzindo a civilização por caminhos seguros. E muitos ocidentais, ao visitarem o Oriente, teriam entrado em contato com eles, ou com instruções de algum dos nove livros, e retornado com conhecimentos impressionantes.

O Despertar dos Mágicos

Há uma exceção: os Nove Desconhecidos também são citados em um fórum. Onde? Na teoria de um fã americano de Lost… Mas, fora isso, se você digitar “nine unknown” no Google, será invariavelmente levado ao mesmo texto, repetido dezenas de vezes por toda a web. É um excerto do livro O Despertar dos Mágicos, escrito em 1960 por Louis Pauwels e Jacqües Bergier.

O livro é uma introdução ao “realismo fantástico”: uma visão de mundo que, em nome do entusiasmo, pretendeu buscar a verdade através de meios nada ortodoxos (leia-se: indo além do método científico), abrindo a mente para todas as possibilidades, mas tentando evitar o absurdo.

É difícil fugir do absurdo quando se atropela o método científico, mas a obra de Pauwels e Bergier está muito longe de qualquer delírio místico ou “new age”, destes que infestam as bancas e livrarias, seja na seção de esotéricos, seja na dos mais vendidos. Os “mágicos” de O Despertar dos Mágicos estão muito mais pra cientistas do que pra gurus. “Magia” é tecnologia. E, é claro, a Lenda dos Nove Desconhecidos é um exemplo perfeito, coroando um capítulo chamado “A conspiração em pleno dia”, sobre sociedades secretas.

Não é nenhum desfile de bizarrices. Sociedades secretas “comuns”, como Maçonaria e Iluminatti, são descartadas como brincadeiras ridículas. E Pauwels avança para uma tese engenhosa: quando a tecnologia se torna muito perigosa, é preciso escondê-la.

Isto esteve perto de ocorrer após a 2ª guerra mundial. De fato, houve uma mobilização geral contra a tecnologia. Quando armas de destruição em massa mostraram seu poder, autoridades cogitaram interditar a ciência pública. A idéia era entregar o avanço científico a uma comissão conscienciosa, que decidiria, sem riscos, que uso dar ao conhecimento.

E é aí que entram os Nove Desconhecidos.

Pauwels especula que, no passado distante, o avanço tecnológico teria sido alvo da mesma necessidade de segredo, porque igualmente perigoso. E vai buscar informações sobre os Nove, ao que parece, sobretudo no livro de Talbot Mundy, The Nine Unknown. Como o próprio Pauwels diz (e talvez aumentando), ele é “um misto de realidade e ficção”. Isto não ajuda a credibilidade da lenda mas, como veremos, quase chega a ser melhor que nada.

Mais adiante, falaremos sobre Mundy e seu livro.

Antes, o ponto de partida da história dos Nove: o imperador Ashoka.

O Império de Ashoka

Tecnologia perigosa: eis o que permitiu que Ashoka, por volta de 270 a. C., expandisse seu Império, exterminando cem mil calinganeses em uma violenta e arrasadora conquista na Índia. Isto faria dele apenas mais um Gêngis Khan, um Alexandre, um Hitler. Mas Ashoka é historicamente famoso pela sua mudança: abandonou a violência e, segundo Pauwels, “quis proibir para sempre aos homens que utilizassem a inteligência de uma forma prejudicial”. A tática, adivinhe, foi tornar a ciência secreta, fundando os Nove Desconhecidos.

Que tecnologia Ashoka possuía? Basicamente, apenas a tecnologia de guerra. Uma versão mais louca, no entanto, diz que o imperador deparou com destroços impressionantes de uma guerra tecnológica ocorrida 20 mil nos antes. Por hora, não importa. Em posse de conhecimentos devastadores, os Nove interviriam de modo bastante sutil no mundo, poucas vezes deixando pistas.

É fato que Ashoka enviou monges budistas pela Ásia e além, incluindo um de seus filhos, para difundir os princípios do Dharma, isto é, o budismo. Não se distraia pelo fato de Ashoka estar difundindo uma “religião”, pois o que “dharma” significa é: “o caminho das verdades mais altas” ou “o princípio universal que rege toda a realidade”. Trata-se (bem, faça um esforço, em nome da brincadeira) de puro conhecimento racional, e o resto seria fachada.

Pois bem, os monges eram dez, mas foram enviados a nove lugares. A sugestiva lista a seguir saiu de um livro antigo chamado “Mahavamsa”. Eis nossos primeiros “nove”:

1. Majjhantika

2. Mahadeva

3. Rakkhita

4. Yona Dhammarakkhita

5. Mahadhammarakkhita

6. Maharakkhita

7. Majjhima

8. Sona e Uttara

9. Mahamahinda (filho de Ashoka)

Não é difícil imaginar alguém que, partindo destes “nove”, tenha criado uma versão rudimentar do que, muito depois, viria a ser a rica mitologia dos Nove Desconhecidos. Vamos a ela, afinal.

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Os Nove Livros do Conhecimento
Este é, quase com certeza, o aspecto mais instigante do excerto de O Despertar dos Mágicos. E o fato é o seguinte: diz-se que cada um dos Nove Desconhecidos era responsável por um livro, que conteria informações de uma determinada ciência. Tais livros seriam constantemente atualizados.

Estes seriam os seus conteúdos:

Livro I – Psicologia: técnicas de controle e manipulação psicológica das massas, através da compreensão do funcionamento da mente.

Livro II – Fisiologia: como matar alguém com um toque, por exemplo.

Livro III – Microbiologia: cura de doenças e engenharia biológica.

Livro IV – Química: a alquimia (transmutação dos metais) seria viável.

Livro V – Comunicação: incluindo, talvez, os meios corretos de captar os sinais de inteligências extraterrestres.

Livro VI – Gravitação: seria possível controlar a gravidade.

Livro VII – Universo: “a mais vasta cosmogonia concebida pela nossa humanidade”, segundo Pauwels.

Livro VIII – Luz: viagem no tempo? Invisibilidade?

Livro IX – Sociologia: as leis que governam a evolução das sociedades.

Estes supostos nove livros se abriram a belas especulações. Ainda no excerto, diz-se que o Judô seria resultado de “vazamento” de informações do Livro II. E o Livro VI é muito citado nos círculos de ufologia, aludindo sempre à tecnologia dos “vimanas”, isto é, os supostos “discos voadores” que infestam a narrativa do sagrado livro hindu, o Mahabharata.

Além da já citada “técnica para fundar uma religião”, presumivelmente vinda do Livro I, uma fonte remota (que ainda veremos) fala na possibilidade de que, com a disciplina correta, seja possível desfazer a própria sombra: obviamente o Livro VIII vem à mente.

Voltaremos aos livros durante o texto.

Manifestações dos Nove na História

• 246 a. C. – Ashoka funda os Nove Desconhecidos (como já vimos)

• 370 d. C. (aproximadamente) – Pilar de Ferro de Délhi

Pilar de ferro de Délhi.

Até hoje, na capital da Índia, existe um famoso monumento. É o Pilar de Ferro de Délhi, erigido há mais de 1500 anos pelo imperador Chandragupta II Vikramaditya, da dinastia dos Guptas. Ele resistiu à corrosão por todo este tempo, o que para muitos é um mistério inexplicável  mas, ao que parece, não para os especialistas. Seja como for, a obra é tida como exemplo da excelência e da habilidade dos antigos indianos no processamento de ferro.

Por ser um antigo mistério tecnológico em plena Índia, a coluna acabou sendo vagamente associada à ação dos Nove Desconhecidos. E há um segundo motivo óbvio. Tome fôlego: o imperador Chandragupta II, responsável pelo monumento, é neto de Chandragupta I, fundador da dinastia dos Guptas. Mas este adotou o nome de um imperador antigo que, 600 anos antes, unificara a Índia: era o Chandragupta da dinastia Mauryan, exatamente o avô de Ashoka.

A Coluna de Ferro de Délhi foi construída pelo neto do imperador que copiou seu nome do avô do fundador dos Nove Desconhecidos (!). Talvez – e põe “talvez” nisso – haja alguma conexão maior entre a dinastia Mauryan e a dinastia Gupta, “explicando” esta suposta ação dos Nove na construção da coluna.

• 999 d. C. – A Cabeça de Bronze do Papa

Esta Cabeça de Bronze tem mitologia própria e apenas resvala na lenda dos Nove. Seria um aparelho capaz de responder “sim” ou “não” a qualquer pergunta. Em algumas versões, seu funcionamento é mágico. O importante é que, em outras, o funcionamento é mecânico! Entre seus supostos donos, constam nomes como Roger Bacon, Alberto Magno e Boécio. Mas O Despertar dos Mágicos fala apenas em Gerbert d’Aurillac, o Papa Silvestre II.

E não é à-toa. D’Aurillac era cientista, e teve a fama de ultrapassar sua época. É considerado o inventor do relógio mecânico. Tornou-se Papa no paranoico ano de 999. Pauwels o define como “um dos homens mais misteriosos do Ocidente”. Tudo o que se diz é que, após uma suposta viagem à Índia, ele retornou com conhecimentos impressionantes. Índia? Tecnologia? Obviamente foram os Nove Desconhecidos!

D’Aurillac realmente fala da cabeça de bronze, na Patrologia Latina, organizada por Migne. O que é de cair o queixo é a afirmação textual do Papa de que a Cabeça de Bronze possui um funcionamento baseado em “um cálculo feito com dois números”. Mesmo em 1960 isto fez Pauwels pensar em nosso moderno código binário de “0” e “1” da informática. É a cara dos Nove, não? Pense no Livro V, da comunicação.

• 1875 – Louis Jacolliot e o mistério das águas do Ganges

O rio Ganges é um dos sete rios sagrados da Índia e, para os hindus, a vida não está completa sem pelo menos um banho ali. Diz-se também que suas águas teriam efeitos curativos. Agora imagine a enorme população da Índia e a corrida de doentes a se banhar junto com pessoas saudáveis! O espantoso não é tanto a cura dos doentes (que decerto nem ocorre), mas o fato de que os saudáveis não são contaminados. Eis o mistério, se há algum.

O francês Louis-François Jacolliot viveu muitos anos na Índia, chegando a ser cônsul da França em Calcutá. Mas, por outro lado, escreveu muitos livros sobre os enigmas da humanidade. Em 1875 escreveu Trois mois sur le Gange et le Brahmapoutre, onde apresenta uma tese incrível: a água do Ganges é continuamente esterilizada pela radiação, o que evita que as pessoas saudáveis se contaminem com o banho dos doentes. De onde vem tal radiação? De um templo secreto dos Nove Desconhecidos, enterrado sob o leito do rio!

O que impressiona Pauwels, em O Despertar dos Mágicos, é que a idéia de “esterilização por meio de radiação” só foi levada a sério um século depois de Jacolliot escrever seu livro. Bem, para uma teoria da conspiração é melhor que nada… Em outros livros, ao que parece, Jacolliot afirmou cabalmente a existência dos Nove.

• 1890 – A. Yersin e a cura da cólera

A história de A. Yersin é rápida e óbvia. Ele foi o bacteriólogo europeu que descobriu a cura da cólera. Mas… Fez muitas viagens por toda a Ásia, inclusive morrendo em sua casa, no Vietnã. Então, é claro, a cura da cólera lhe teria sido fornecida pelos Nove Desconhecidos. Talvez tenha sido o próprio Jacolliot quem disse isto: Yersin teria viajado a Madrasta em 1890, tendo recebido instruções dos Nove sobre a peste e a cólera.

• 1923 – Talbot Mundy publica “The Nine Unknown”

O livro de Mundy não constaria da lista de “manifestações dos Nove” se Pauwels não houvesse dito que se trata de “um misto de ficção e realidade”. Ficção porque narra as aventuras de JimGrim, uma espécie de Indiana Jones com uma queda pelo Oriente. Realidade porque, supostamente, há eventos-chave da narrativa que possuem um fundo real.

Esta história é um pouco mais longa.

William Lancaster Gribbon (1879-1940), famoso como Talbot Mundy, foi um novelista inglês, conhecido por narrar aventuras que se passavam no Oriente. Afinal, Mundy trabalhou um certo tempo na polícia inglesa da Índia, se fascinando por sua cultura. Seu nome é pouco conhecido no Brasil, mas ele teve grande influência sobre Robert E. Howard, o criador de Conan.

O livro The Nine Unknown (“Os Nove Desconhecidos”sem tradução para o português) foi publicado em 1923 e é, sem dúvida, a maior fonte de informação de O Despertar dos Mágicos. É de lá que sai a ideia dos nove livros, por exemplo.

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Qual a história contada em The Nine Unknown?

Existe uma enorme quantidade de ouro na Índia, mas é sabido não haver senão uma mina em todo o país. De onde viria tanto ouro? Na narrativa, JimGrim vai justamente tentar resolver este mistério – pense no Livro IV dos Nove, sobre a transmutação dos metais.

O herói descobre um certo “reverendo”, que passou 80 anos coletando livros na Índia, obtendo conhecimentos proibidos e, por fim, chegando aos responsáveis pelo ouro indiano, isto é, os Nove Desconhecidos – talvez Mundy tenha realmente conhecido uma biblioteca abandonada deste tipo.

Mas, mesmo no romance, os Nove são tão evanescentes que JimGrim jamais os encontra, dando de cara apenas com imitadores – o que, por sinal, gerou a interpretação de que Mundy estaria falando de outros Nove, voltados para propósitos malignos. O autor, indo ainda mais fundo, acrescenta que os Nove Desconhecidos podem remontar à cidade perdida de Atlântida – o que nos levará bem longe, como você vai ver.

Sobre os nove livros do conhecimento, Mundy escreve que “uma única página tem segredos de propaganda o suficiente para que um ladrão possa começar, prontamente, a sua própria religião; e um meio eficiente de resistir a uma hipnose maligna é pensar em difíceis cálculos matemáticos”.

• 1963 – Auto-Imolação no Vietnã

Thích Quảng Ðức queimando.

Em protesto contra o governo de Ngô Đình Diệm, que oprimia a religião budista, o monge vietnamita Thích Quảng Ðức ateou fogo a si mesmo e queimou até a morte, sem mover um músculo. Como ele conseguiu? Diz-se (?) que ele teria tido acesso a instruções dos Nove Desconhecidos, em especial o Livro II, sobre fisiologia, com técnicas sobre a total anulação da dor.

Os Nove teriam interesse em lutar pela religião da qual seu fundador, Ashoka, era um adepto entusiasta, e promoveram um mártir exemplar: após a morte, o monge Quảng Ðức se tornou santo. É que seu corpo foi carbonizado pelo fogo, mas seu coração se manteve intacto e, até hoje, pode ser visto em público para adoração. Golpe de mestre contra Ngô Đình Diệm.

Agora vamos pirar de vez, tentando encontrar os Nove em toda parte.

Os Outros Nove

A ideia de “nove entidades” que controlam o mundo, ou que são capazes de intervir nele de forma crucial, é um tema que vai bem além da lenda de Ashoka. Há versões gregas, egípcias, satanistas, hindus e modernas para o que, em geral, se chama de “O Conselho dos Nove”. Vejamos as outras possíveis referências dos Nove Desconhecidos ou princípios do Universo:

• Versão Grega – O Conselho dos Nove

Prometeu ousou dar o poder do fogo aos humanos. Isto enfureceu Zeus. Todos conhecem este mito. Prometeu foi amarrado a uma pedra e teve o seu fígado eternamente devorado por uma águia. E a humanidade também foi punida. Zeus criou o “Conselho dos Nove”:

1. Aphrodite

2. Apollo

3. Athena

4. Demeter

5. Hephaestus

6. Hera

7. Hermes

8. Poseidon

9. Zeus

Estes Nove presentearam a humanidade com a famosa Caixa de Pandora, tendo acrescentado que a caixa jamais deveria ser aberta. No mito, como se sabe, é dito que a caixa acaba sendo aberta, e dela saem todas as tragédias e males da humanidade. O interessante é que, neste caso, a curiosidade é a vilã. É por causa dela que a caixa é aberta, abrindo uma era de trevas no mundo.

• Versão Hindu – Os Navnath (Nove Senhores)

Os nomes inúteis que você vê a seguir são os “nove senhores”, ou nove santos, da linhagem Nath Sampradaya, da mitologia hindu. Esta última é muito importante, e teria sido fundada por uma reencarnação do próprio deus Shiva. Já os “navnath” seria uma de tantas ramificações secundárias. Mas como são hindus e são nove, não poderiam faltar nesta matéria paranóica:

1. Machindranath

2. Gorakhnath

3. Jalandernath

4. Kanifnath

5. Charpatnath

6. Nageshnath

7. Bharatnath

8. Revannath

9. Gahininath

• Versão Satanista – O Conselho dos Nove

Igreja de Satã alega que um “conselho dos nove” foi estabelecido em todo o mundo, seguindo ordens diretas dos Nove Desconhecidos, no objetivo de inaugurar a “Era de Fogo”, onde finalmente ocorreriam duas revoluções: a integração entre mágica e lógica (parece familiar?), e a nova religião traria os valores de auto-indulgência, prazer carnal e diversão acima de tudo.

Isto parece ser exatamente o que vem ocorrendo, magnificamente aliás, com o alastramento da Ciência e o declínio dos “valores espirituais”, sempre baseados em realidades “não físicas”.

• Versão Egípicia – A Ennead de Heliópolis

A Ennead de Heliópolis

A tradição egípcia parece ser formada por vários grupos de nove deidades, sendo o principal deles a “Ennead de Heliópolis”, encabeçada pelo que seria o criador do Universo, Atum. Este teria sido capaz da façanha de “criar a si mesmo” e, talvez mais incrível, de ter gerado os demais deuses através da sua masturbação.  Os demais deuses, agora formados, completariam a estranha cosmogonia egípcia. O corpo de Geb, por exemplo, daria forma ao céu.

1. Atum

2. Shu

3. Tefnut

4. Nut & Geb

5. Osiris

6. Isis

7. Nephtys

8. Seth

9. Horus

É de se notar, porém, que no verbete “Ennead” da Wikipedia em inglês, lemos: “o número nove foi associado a um grande poder carnal, e os povos antigos consideraram agrupamentos de nove deuses muito importantes”. O nove associado a “poder carnal”? Isto parece bem conveniente: a carne é a “versão sensual” da matéria, profana e pecaminosa por excelência. É a grande inimiga do espírito.

A Ennead aparece outra vez, na versão a seguir.

• Versão “Moderna” – Os Nove Princípios

Fundação da Távola Redonda, no “laboratório de pesquisa confidencial”, EUA, 1952. Trazido da Índia pelo médico Andrija Puharich, um certo dr. Vinod teria “canalizado” mensagens de um tal “Conselho dos Nove“. As mensagens captadas eram no seguinte estilo:

Deus nada mais é do que nós juntos, os nove princípios.”

“Eu sou o início e o fim. Sou o mensageiro. Estive originalmente no planeta Terra, mas há 34.000 de seus anos. Eu sou o contrapeso. E quando eu digo ‘Eu’, não sou eu, mas é o grupo – porque sou um mensageiro dos Nove. Nós somos nove princípios do universo, contudo junto nós somos um.”

As canalizações do Dr. Vinod não precisam ser místicas. Pense no Livro VI dos Nove Desconhecidos e todas as suas técnicas de comunicação. Seja como for, as mensagens de Vinod atraíram um círculo de homens poderosos, que acabou se reunindo para ouvir, e talvez obedecer, as instruções dos “nove princípios”. E esses homens formaram uma espécie de contraparte terrena do “Conselho dos Nove”.

A lista a seguir é uma vaga tentativa. São os possíveis membros:

1. Dr. D. G. Vinod (veio da Índia)

2. Andrija Puharich

3. Uri Geller (sim, o entortador de colheres)

4. John Whitmore

5. Phyllis Schlemmer

6. “Bobby Horne”

7. Lyall Watson

8. Ira Einhorn

9. Gene Roddenberry (criador da série Jornada nas Estrelas)

É interessante notar o último membro. A série Jornada nas Estrelas é cheia de “spin-offs” (seriados derivados). Um deles, sugestivamente, se chama Deep Space Nine. Pior: em um episódio deste spin-off há um personagem cujo nome é “Vinod”!

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Em 1973 o “mensageiro” canalizado por Vinod teria se identificado como “Tom”. E em 1977 um livro intitulado Prelude to the Landing on Planet Earth (“Prelúdio para pousar na Terra”), escrito por um tal Stuart Holroyd a pedido de Puharich e Whitmore, “revelaria” que Tom seria o próprio Atum, isto é, o criador-deus da Ennead de Heliópolis!

Apesar do salto de irracionalidade que acaba de nos trazer ao mundo louco dos extraterrestres (a ideia de “pousar na Terra” diz tudo), a história novamente se revela varias referências ao conselho dos nove..

Os Nove e Marte

Em 1976 a sonda Viking obteve uma imagem clássica do solo marciano: o famigerado Rosto de Marte. Não apenas um rosto, mas pirâmides pareciam evidentes por todo o terreno ao seu redor. Muita gente criativa logo imaginou: os responsáveis pelas pirâmides do Egito e as marcianas são os mesmos.

Richard C. Hoagland é, até hoje, um dos maiores entusiastas da ideia de “egipcianismo” marciano. Conspiração sobre conspiração, há quem diga que, neste ponto, ele teria sido diretamente influenciado pelos Nove, encabeçados por Vinod. O próprio “deus” Atum teria confirmado, através de Vinod, a relação entre as pirâmides do Egito e as supostas pirâmides marcianas.

A banda The Gak Omek parece ser a única entidade no planeta, além de mim, que “percebeu” alguma conexão. Em seu disco, Return of the All-Powerful Light Beings, deu às músicas nomes derivados da conspiração. Uma delas era Dance of the Nine Unknown Men (sim, “Dança dos Nove Homens Desconhecidos”, mas a melodia é fantástica) e outra Cidonya, a região de Marte mostrada acima.

Mas vamos ao suposto link:

Primeiro, lembre que o Dr. Vinod veio da Índia. Segundo, lembre que Talbot Mundy falara sobre uma origem muito remota dos Nove, remontando à cidade perdida de Atlântida. Dr. Vinod diz que o livro sagrado dos hindus, o Mahabharata, falaria sobre uma guerra entre Atlantes e o Império de Rama há 20 mil anos.

Já o famoso manuscrito de Lhasa, em sânscrito, sugeriria que este tal “Império de Rama” seria também uma civilização avançada, capaz de construir veículos voadores (os tais vimanas do Mahabharata), e que existiu na mesma época dos Atlantes, situada ao longo do que hoje é o Paquistão.

Obviamente.., a guerra tecnológica entre as duas civilizações, há 20 mil anos, se deu em plena Índia. Os destroços foram encontrados em 246 a.C. pelo imperador Ashoka. Havia técnicas impressionantes, e toda uma grandiosa ciência, discerníveis ali. Por exemplo, os segredos da gravitação, contidos no Livro VI, teriam vindo de destroços de vimanas.

Extraterrestres, portanto, são a peça que faltava. Estes viajantes do espaço, que já estavam na Terra há 34 mil anos segundo o indiano Vinod, e são tanto os criadores das pirâmides marcianas e egípcias quanto dos vimanas do sagrado livro hindu, estão por trás de todo o mistério dos Nove Desconhecidos.

Resumo final da teoria:

34.000 a. C. – Vindos de Marte, após deixar pirâmides e um rosto por lá, extraterrestres liderados por Atum chegam à Terra. Talvez tenham criado a raça humana. Talvez tenha apenas propiciado o surgimento de civilizações avançadas como a Atlântida e o Império de Rama e, além disso, dado origem a mitos como o de Prometeu.

20.000 a. C. – Uma guerra tecnológica entre os Rama e os Atlantes deixa incríveis destroços na Índia.

246 a. C. – O imperador Ashoka encontra os destroços. Talvez seguindo instruções, ou talvez deliberadamente, funda os Nove Desconhecidos, com o objetivo de tornar secreto aquele perigoso conhecimento – tudo seria guardado em nove livros, constantemente atualizados.

370 d. C. em diante – Os Nove se manifestam esporadicamente. Criam a estranha Coluna de Ferro de Délhi, entregam ao Papa uma cabeça falante que diz “sim” ou “não”, ajudam Yersin a curar a cólera, ajudam Quảng Ðức a pegar fogo sem dor, entre outras coisas.

1977 – Um indiano maluco chamado Vinod, enviado ao ocidente pelos Nove Desconhecidos de Ashoka, alega receber mensagens de Atum, o alienígena responsável por toda esta história. Seria o “mensageiro dos nove princípios”. Um grupo de homens poderosos se reúne, para cumprir as instruções dos Nove.

Conclusões

Antigos textos perdidos no tempo fala de antigos textos Yoga, relacionados aos Nove Desconhecidos, detalhando “práticas de disciplina do self (a mente, o Eu)” – incluindo um modo de “desativar” a própria sombra. Tudo seria feito através de técnicas corporais, físicas. Isto é muito adequado aqui: a mente, ou melhor, a consciência é um mistério para o materialismo.

Pela perplexidade que ela causa, os antigos lhe chamaram “alma” e afirmaram ser algo “não-físico”, uma substância etérea que “permeia” o cérebro. Como, afinal, nosso cérebro físico possui “experiência subjetiva”, isto é, consciência? Esta pode ser a última fronteira da Ciência moderna. Tal como é descrito, o Deus hindu bem poderia ser a própria consciência:

“Armas não conseguem cortá-lo,

fogo não pode queimá-lo,

água não consegue molhá-lo,

ventos não podem secá-lo…

ele é eterno e tudo permeia,

sutil, imóvel e sempre o mesmo.”

– Bhagavad Gita, II:23-24

A sugestão de que os Nove compreendem a mente e, por isso, são capazes de coisas estranhas como desativar a sombra, é muito instigante. Do que a Ciência será capaz quando compreender a consciência? Terá a mente ligação com a luz? Ou com o espaço e o tempo? Explicará ela os universos paralelos e o livre-arbítrio? E, é claro, estariam os Nove mantendo em segredo este conhecimento espetacular?

Tanta especulação desvairada sobre os Nove e, até aqui, ainda parecia faltar um sentido maior em tudo. O segredo da consciência é um coroamento perfeito para a Lenda dos Nove Desconhecidos: a fronteira final da visão materialista por ela representada, e a esperança de que, ao compreendermos nós mesmos e a nossa mente, as chaves do Universo se abram de uma vez por todas, revelando todas as suas maravilhas.

É indispensável concluir esse compendio sem antes citar as palavras insubstituíveis com que, em O Despertar dos Mágicos, Louis Pauwels conclui o seu magnífico capítulo sobre sociedades secretas:

“Afastados das agitações religiosas, sociais e políticas, resoluta e perfeitamente dissimulados, os Nove Desconhecidos encarnam a imagem da ciência calma, da ciência com consciência. Senhora dos destinos da humanidade, mas abstendo-se de utilizar o seu próprio poder, essa sociedade secreta é a mais bela homenagem possível à liberdade em plena elevação. Vigilantes no âmago da sua glória escondida, esses nove homens vêem fazer-se, desfazer-se e tornar a fazer-se as civilizações, menos indiferentes que tolerantes, prontos a auxiliar, mas sempre sob essa imposição de silêncio que é a base da grandeza humana.”

Mito ou realidade? Qual a verdade por trás de todas essas historias envolvendo esses nove elementos.. Sem evocar fantasmas ou deuses, e mesmo sem provas que possam existir tais coisas, a “lenda” se abre para possibilidades incríveis que, ao contrário do que dizem, nada têm de enfadonhas ou sem graça: Alienígenas, viagens no tempo, compreensão matemática da dinâmica social, invisibilidade, controle da gravidade, etc.

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